10 anos depois | Um tipo de morte | BACKWARD


A dez anos atrás ainda vivia minha tardia adolescência causada talvez pela superproteção da minhas mães e da minha religião. Hoje faz 10 anos que fiz minha primeira postagem, cheios de erros de português e com uma ingenuidade que revelava o aspecto infantil de como eu via o mundo. O texto a seguir foi reescrito por mim ano passado, quando iniciei esta série de repostamentos para mostrar como foi estes dez anos da minha frustrada vontade de ser escritor, repórter ou poeta, já que bombeiro, astronauta e entregador de pizzas era um sonho muito distante.



I
A cigana parou o e lhe disse:
– Não viverá muito
– Deixe disso velha – Replicou o homem que já impaciente tentou desviar do caminho da cigana.
– Confie em mim – disse a velha
– Sai fora velha!
– Não terás muito tempo.
– Cala boca velha.
A cigana o segurou pelo braço.
– Não, não vá.
– Me solta!
– É preciso que saiba.
– Sáiba o que?
– Morreras em breve.
– Que vai morrer é a senhora se não me soltar!
– Te solto, mas não vá embora. - ela solta.
– Tchau velha
Deu dois passos e caiu morto. A velha se aproximou, pegou sua carteira, tirou os trocados que continham e foi embora.

II

A cigana parou o e lhe disse:
– Não viveras muito
– Como? - pergutou o homem desconfiado.
– Não tens muito tempo de vida
– Como? - insistiu.
– Você vai morrer!
– Eu? Morrer? – incrédulo.
– Você. Morrer! - irônica.
– A senhora esta louca!
– Mas vou ficar viva, já você...
– Eu o que?
– Vai morrer!
– OK! Vou morrer em casa, com licença.
– Espere!
– O que quer agora?
– Quer que eu diga alguma coisa a sua família?
– Não!
– Acredite em mim! Eu vejo...
– Eu acredito, sei que vou morrer.
– Sabe?
– Não hoje, mas sei que vou.
– Não brinque
– “Adiós!”
Deu dois passos e morreu como o outro.

13 de Outubro de 2005
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10 anos depois | Um tipo de morte | BACKWARD


A dez anos atrás ainda vivia minha tardia adolescência causada talvez pela superproteção da minhas mães e da minha religião. Hoje faz 10 anos que fiz minha primeira postagem, cheios de erros de português e com uma ingenuidade que revelava o aspecto infantil de como eu via o mundo. O texto a seguir foi reescrito por mim ano passado, quando iniciei esta série de repostamentos para mostrar como foi estes dez anos da minha frustrada vontade de ser escritor, repórter ou poeta, já que bombeiro, astronauta e entregador de pizzas era um sonho muito distante.



I
A cigana parou o e lhe disse:
– Não viverá muito
– Deixe disso velha – Replicou o homem que já impaciente tentou desviar do caminho da cigana.
– Confie em mim – disse a velha
– Sai fora velha!
– Não terás muito tempo.
– Cala boca velha.
A cigana o segurou pelo braço.
– Não, não vá.
– Me solta!
– É preciso que saiba.
– Sáiba o que?
– Morreras em breve.
– Que vai morrer é a senhora se não me soltar!
– Te solto, mas não vá embora. - ela solta.
– Tchau velha
Deu dois passos e caiu morto. A velha se aproximou, pegou sua carteira, tirou os trocados que continham e foi embora.

II

A cigana parou o e lhe disse:
– Não viveras muito
– Como? - pergutou o homem desconfiado.
– Não tens muito tempo de vida
– Como? - insistiu.
– Você vai morrer!
– Eu? Morrer? – incrédulo.
– Você. Morrer! - irônica.
– A senhora esta louca!
– Mas vou ficar viva, já você...
– Eu o que?
– Vai morrer!
– OK! Vou morrer em casa, com licença.
– Espere!
– O que quer agora?
– Quer que eu diga alguma coisa a sua família?
– Não!
– Acredite em mim! Eu vejo...
– Eu acredito, sei que vou morrer.
– Sabe?
– Não hoje, mas sei que vou.
– Não brinque
– “Adiós!”
Deu dois passos e morreu como o outro.

13 de Outubro de 2005