Eleições 2014 | Votar ou não votar? Eis a questão.


Mais um ano de eleições e o eleitor ainda vive os mesmos problemas de vinte anos atrás; o bipartidarismo americano abrasileirado na ditadura militar, a “falta” de  candidatos ( pois são as velhas lideranças ainda no poder) e a falta de perspectiva, pois não somos um povo acostumado a democracia.

Como sabemos, em 1964, os militares, com ajuda das classes dominantes e da influência norte americana, destituiu o então presidente João Goulart e implantou um regime autoritário que visava o fortalecimento da poderio político norte americano na América do Sul, com a desculpa de um possível avanço comunista no poder legislativo e executivo brasileiro.
Depois de muita luta, por parte de estudantes e grupos de esquerda, o governo militar fez uma abertura política que possibilitou as eleições diretas, a fundação e refundação de partidos políticos, tão importantes para a construção da democracia.
Porém essa nova democracia, ainda trouxe consigo uma mala cheia de artefatos da ditadura. A mentalidade militarizada fez das escolas protótipos de prisões; as grades, sinais sonoros e o refeitório lembram em muito o que seria uma fundação casa. Os inspetores mais parecem carcereiros, os diretores não falam com os pais nem com a comunidade, aumentando ainda mais a violência, a venda e o consumo de drogas dentro das escolas. Como não é de interesse mudar esse cenário, ninguém faz nada. A sociedade se omite com medo e o estado (veja que o estado não falhou no plano de educação, a falha é o plano.) se omite em razão da manutenção da ordem.
Como temos crianças e adolescentes que não são instigados a pensar, não são incentivadas ao conhecimento de sua história e muito pouco introduzida na discussão da política de seu país, temos então adultos que reproduzem as clássicas frases; “ eu não gosto de política”, “eu voto branco”, “eu voto nulo”, “é muita corrupção”, dentre outros chavões que mostram a fragilidade de nossa democracia, mostra o quanto ela ainda não se consolidou.
Mas como em vinte anos de democracia, podemos afirmar que ela não se consolidou? Começando pelas obrigatoriedades. O sujeito é obrigado a ter o título de eleitor, a votar, e mesmo se for analfabeto, também pode votar, isso já é uma prova de que não nosso regime não é tão democrático assim. Os homens são obrigados a se alistar. Alistamento obrigatório para que? Sabemos que a maciça maioria vai ser dispensada por excesso de contingente.
Da ditadura também restou a mentalidade do bipartidarismo (PSDB e PT com o PMDB no centro) O PMDB nada mais é do que a continuidade dos governos militares, serve de mediador entre PSDB e PT, dai a mentalidade do eleitorado entre escolher um lado ou o outro. A mídia também influi na polarização da mentalidade eleitoral. Quando os veículos fazem seus debates, convidam apenas os candidatos que eles julgam, através de pesquisa questionáveis, que são presidenciáveis ou elegíveis. Alguns candidatos muitas vezes devem entrar na justiça para poder ter o direito de participar do debate. Houve um ano em que um grupo de candidatos fez seu próprio debate, pois não tiveram espaço nos grandes veículos.
Espere ai! Se existem outros candidatos, porque ouvimos tanto que não temos outras opções? Na ditadura militar, haviam apenas dois partidos dentro de um sistema indireto de eleições. Esses partidos decidiam entre si os candidatos e entre si definiam os eleitos. Esse forma do estado definir o que é melhor para o povo, ainda sobrevive nessa nossa nova democracia, a espera dos “políticos” se mostrarem as melhores opções. Mas a pior parte está por vir, o financiamento através de doações, faz com que partidos ligados a ricos empresários, terão mais poder econômico para apresentar suas propostas pela TV, pelo jornal e outras mídias. Na contra-mão, partidos chamado de nanicos, ou partidos de esquerda, estão ligados a movimentos sociais e empresários de menos poder aquisitivo, logo tem menos espaço na TV. Para fechar a conta do “quem pode mais, chora menos”, o horário eleitoral gratuito destina aos partido que mais tem representatividade. Mais tempo na TV, e o cidadão, quando não é bombardeado pela propaganda obrigatória, apenas desliga a TV e o único momento em que ele podia pensar melhor em seu voto, foi desperdiçado. Esse bipartidarismo cego, faz com que o próprio povo se bipolarize em torno de questões que são básicas, não indo para a discussão mas pela desaprovação automática por conta do tal político que assinou essa ou aquela lei, este ou aquele programa, em resumo; o eleitor tucano geralmente não apoia nenhum projeto do governo petista; já os petistas abominam qualquer projeto do PSDB, “e assim vamos” prolongando o bipartidarismo que deveria ter acabado logo após o regime militar. Como temos pavor do debate político, medo do confronto com o estado e uma certa esperança que tudo um dia irá mudar por uma intervenção militar ou divina, acabamos por alimentar sempre as mesmas velhas lideranças no poder, podemos aqui citar os mais de 30 anos de governo tucano em São Paulo, Paulo Maluf, José Sarney e família ainda na ativa, o retorno de Collor, e agora os 12 anos, partindo para 16 de governo do PT, com mensalão e tudo. E quando dizem para mim que a urna eletrônica é fraudável, eu realmente não acredito, acredito mais que temos um eleitorado que não se acostumou a democracia, não sabe o significado dela, e como tem seu voto compulsório, também não entende o significado deste, dai tira sarro de si mesmo, ou escrevendo palavrões na cédula, ou apenas votando em branco, nulo ou ainda ( como eu faço ) nem saindo de casa.



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Eleições 2014 | Votar ou não votar? Eis a questão.


Mais um ano de eleições e o eleitor ainda vive os mesmos problemas de vinte anos atrás; o bipartidarismo americano abrasileirado na ditadura militar, a “falta” de  candidatos ( pois são as velhas lideranças ainda no poder) e a falta de perspectiva, pois não somos um povo acostumado a democracia.

Como sabemos, em 1964, os militares, com ajuda das classes dominantes e da influência norte americana, destituiu o então presidente João Goulart e implantou um regime autoritário que visava o fortalecimento da poderio político norte americano na América do Sul, com a desculpa de um possível avanço comunista no poder legislativo e executivo brasileiro.
Depois de muita luta, por parte de estudantes e grupos de esquerda, o governo militar fez uma abertura política que possibilitou as eleições diretas, a fundação e refundação de partidos políticos, tão importantes para a construção da democracia.
Porém essa nova democracia, ainda trouxe consigo uma mala cheia de artefatos da ditadura. A mentalidade militarizada fez das escolas protótipos de prisões; as grades, sinais sonoros e o refeitório lembram em muito o que seria uma fundação casa. Os inspetores mais parecem carcereiros, os diretores não falam com os pais nem com a comunidade, aumentando ainda mais a violência, a venda e o consumo de drogas dentro das escolas. Como não é de interesse mudar esse cenário, ninguém faz nada. A sociedade se omite com medo e o estado (veja que o estado não falhou no plano de educação, a falha é o plano.) se omite em razão da manutenção da ordem.
Como temos crianças e adolescentes que não são instigados a pensar, não são incentivadas ao conhecimento de sua história e muito pouco introduzida na discussão da política de seu país, temos então adultos que reproduzem as clássicas frases; “ eu não gosto de política”, “eu voto branco”, “eu voto nulo”, “é muita corrupção”, dentre outros chavões que mostram a fragilidade de nossa democracia, mostra o quanto ela ainda não se consolidou.
Mas como em vinte anos de democracia, podemos afirmar que ela não se consolidou? Começando pelas obrigatoriedades. O sujeito é obrigado a ter o título de eleitor, a votar, e mesmo se for analfabeto, também pode votar, isso já é uma prova de que não nosso regime não é tão democrático assim. Os homens são obrigados a se alistar. Alistamento obrigatório para que? Sabemos que a maciça maioria vai ser dispensada por excesso de contingente.
Da ditadura também restou a mentalidade do bipartidarismo (PSDB e PT com o PMDB no centro) O PMDB nada mais é do que a continuidade dos governos militares, serve de mediador entre PSDB e PT, dai a mentalidade do eleitorado entre escolher um lado ou o outro. A mídia também influi na polarização da mentalidade eleitoral. Quando os veículos fazem seus debates, convidam apenas os candidatos que eles julgam, através de pesquisa questionáveis, que são presidenciáveis ou elegíveis. Alguns candidatos muitas vezes devem entrar na justiça para poder ter o direito de participar do debate. Houve um ano em que um grupo de candidatos fez seu próprio debate, pois não tiveram espaço nos grandes veículos.
Espere ai! Se existem outros candidatos, porque ouvimos tanto que não temos outras opções? Na ditadura militar, haviam apenas dois partidos dentro de um sistema indireto de eleições. Esses partidos decidiam entre si os candidatos e entre si definiam os eleitos. Esse forma do estado definir o que é melhor para o povo, ainda sobrevive nessa nossa nova democracia, a espera dos “políticos” se mostrarem as melhores opções. Mas a pior parte está por vir, o financiamento através de doações, faz com que partidos ligados a ricos empresários, terão mais poder econômico para apresentar suas propostas pela TV, pelo jornal e outras mídias. Na contra-mão, partidos chamado de nanicos, ou partidos de esquerda, estão ligados a movimentos sociais e empresários de menos poder aquisitivo, logo tem menos espaço na TV. Para fechar a conta do “quem pode mais, chora menos”, o horário eleitoral gratuito destina aos partido que mais tem representatividade. Mais tempo na TV, e o cidadão, quando não é bombardeado pela propaganda obrigatória, apenas desliga a TV e o único momento em que ele podia pensar melhor em seu voto, foi desperdiçado. Esse bipartidarismo cego, faz com que o próprio povo se bipolarize em torno de questões que são básicas, não indo para a discussão mas pela desaprovação automática por conta do tal político que assinou essa ou aquela lei, este ou aquele programa, em resumo; o eleitor tucano geralmente não apoia nenhum projeto do governo petista; já os petistas abominam qualquer projeto do PSDB, “e assim vamos” prolongando o bipartidarismo que deveria ter acabado logo após o regime militar. Como temos pavor do debate político, medo do confronto com o estado e uma certa esperança que tudo um dia irá mudar por uma intervenção militar ou divina, acabamos por alimentar sempre as mesmas velhas lideranças no poder, podemos aqui citar os mais de 30 anos de governo tucano em São Paulo, Paulo Maluf, José Sarney e família ainda na ativa, o retorno de Collor, e agora os 12 anos, partindo para 16 de governo do PT, com mensalão e tudo. E quando dizem para mim que a urna eletrônica é fraudável, eu realmente não acredito, acredito mais que temos um eleitorado que não se acostumou a democracia, não sabe o significado dela, e como tem seu voto compulsório, também não entende o significado deste, dai tira sarro de si mesmo, ou escrevendo palavrões na cédula, ou apenas votando em branco, nulo ou ainda ( como eu faço ) nem saindo de casa.