A angústia de não saber quem são essas pessoas


Desde quando era criança já ouvia falar, através de e-mails e cartas (e agora desabafos no Facebook), sobre algum gringo que esteve no Brasil por algum período, não gostou e foi embora, mas antes deixou uma dessas mensagens de indignação com o país.
 O que me chama atenção é que nunca vi a cara desses gringos, muito menos tive a certeza de que eles existiam; outra coisa que me deixa intrigado é que eu nunca dou a sorte de ler essas coisas direto da fonte.
O que também me espanta é que nunca vi uma dessas cartas escritas por um boliviano, haitiano, ou angolano, só vejo cartas de norte-americanos e europeus.
 Acho que a mais famosa delas é a do jornalista holandês, mas sabe de uma coisa, dessa vez eu fiquei até feliz, pois disseram o nome do jornalista: Mikkel Jensen.
Ele trabalha em que jornal? Nenhum é um jornalista independente, mas tudo bem.
A Revista Placar, que a gente imagina ser uma entrevista séria, diz que a fonte é "Crédito: Reprodução/Facebook".
Legal, mas não tem o link!
  Lá vou eu procurar o tal rapaz, encontro três “Mikkel’s”: um modelo de vinte poucos anos, um piloto e um que me parece ser um político e que em setembro não estava no Brasil, mas sim em seu país. Ainda tem um quarto também, que não dá pra ver o perfil.
Resumindo: Jornalisticamente falando, a revista Placar poderia citar a tal fonte de onde eles tiraram esse texto?





Jornalista dinamarquês desiste de cobrir a Copa e deixa o Brasil
PLACAR.ABRIL.COM.BR
"Sou um cara usado para impressionar", relatou Mikkel Jensen







Mikkel Jensen deixou o Brasil ao descobrir "limpeza" feita para agradar pessoas como ele - um gringo

 Crédito: Reprodução/Facebook


 O jornalista dinamarquês Mikkel Jensen tinha o sonho de cobrir a Copa do Mundo no Brasil, mas não o cumprirá. Segundo ele, que esteve no país desde setembro do ano passado, as mudanças praticadas no país são feitas unicamente para impressionar pessoas como ele e a imprensa internacional. "Eu sou um cara usado para impressionar", justificou, em artigo publicado em seu perfil do Facebook (e que pode ser lido abaixo). O sonho de Jensen de assistir "o melhor esporte do mundo em um país maravilhoso" terminou a apenas dois meses do pontapé inicial. Em visita a Fortaleza, "a cidade mais violenta a receber um jogo de Copa do Mundo até hoje", o dinamarquês esteve em contato com algumas crianças de rua. Uma delas lhe ofereceu um pacote de amendoins, e o impressionou. "Esse cara, que não tem nada, ofereceu a única coisa de valor que tinha para um gringo que carregava equipamentos de filmagem no valor de R$ 10.000 e um Master Card no bolso. Inacreditável", relatou Jensen. O jornalista optou por deixar o país quando se deu conta de que muitas crianças em situação de rua estão desaparecendo para dar aos turistas uma imagem mais "limpa" das cidades-sede. "Eu não posso cobrir esse evento depois de saber que o preço da Copa não só é o mais alto da história em reais – também é um preço que eu estou convencido incluindo vidas das crianças", escreveu. "Hoje, vou voltar para Dinamarca e não voltarei para o Brasil. Minha presença só está contribuindo para um desagradável show do Brasil. Um show, que eu dois anos e meio atrás estava sonhando em participar, mas hoje eu vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para criticar e focar no preço real da Copa do Mundo do Brasil", concluiu Jensen, que já está de volta à Dinamarca. Leia o artigo na íntegra: Quase dois anos e meio atrás eu estava sonhando em cobrir a Copa do Mundo no Brasil. O melhor esporte do mundo em um país maravilhoso. Eu fiz um plano e fui estudar no Brasil, aprendi Português e estava preparado para voltar. Voltei em setembro de 2013. O sonho seria cumprido. Mas hoje, dois meses antes da festa da Copa eu decidi que não vou continuar aqui. O sonho se transformou em um pesadelo. Durante cinco meses fiquei documentando as consequências da Copa. Existem várias: remoções, forças armadas e PMs nas comunidades, corrupção, projetos sociais fechando. Eu descobri que todos os projetos e mudanças são por causa de pessoas como eu – um gringo e também uma parte da imprensa internacional. Eu sou um cara usado para impressionar. Em Março, eu estive em Fortaleza para conhecer a cidade mais violenta a receber um jogo de Copa do Mundo até hoje. Falei com algumas pessoas que me colocaram em contato com crianças da rua e fiquei sabendo que algumas estão desaparecidas. Muitas vezes, são mortas quando estão dormindo a noite em área com muitos turistas. Por que? Para deixar a cidade limpa para os gringo e a imprensa internacional? Por causa de mim? Em Fortaleza eu encontrei com Allison, 13 anos, que vive nas ruas da cidade. Um cara com uma vida muito difícil. Ele não tinha nada – só um pacote de amendoins. Quando nos encontramos ele me ofereceu tudo o que tinha, ou seja, os amendoins. Esse cara, que não tem nada, ofereceu a única coisa de valor que tinha para um gringo que carregava equipamentos de filmagem no valor de R$10.000 e uma Master Card no bolso. Inacreditável. Mas a vida dele está em perigo por causa de pessoas como eu. Ele corre o risco de se tornar a próxima vítima da limpeza que acontece na cidade de Fortaleza. Eu não posso cobrir esse evento depois de saber que o preço da Copa não só é o mais alto da historia em reais e centavos – também é um preço que eu estou convencido incluindo vidas das crianças. Hoje, vou voltar para Dinamarca e não voltarei para o Brasil. Minha presença só está contribuindo para um desagradável show do Brasil. Um show, que eu dois anos e meio atrás estava sonhando em participar, mas hoje eu vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para criticar e focar no preço real da Copa do Mundo do Brasil. Alguns quer dois ingressos para França – Equador no dia 25 de Junho?

Mikkel Jensen - jornalista independente do Dinamarca e correspondente em Rio de Janeiro


http://placar.abril.com.br/materia/jornalista-dinamarques-desiste-de-cobrir-a-copa-e-deixa-o-brasil?utm_source=redesabril_jovem&utm_medium=facebook&utm_campaign=redesabril_super


------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
 Depois do meu desabafo um senhor na internet achou essa link

http://ekstrabladet.dk/sport/fodbold/landsholdsfodbold/vm2014/article2258090.ece

esta matéria falar por cima sobre o tal texto do reporte

Então procuramos pelo tal reporter.

achamos o facebook

https://www.facebook.com/mtkjensen?fref=ts

e lá ta cheio de gente babando ovo pro gringo

O que me revolta é que ninguém liga, ninguém está nem ai para a pobreza, para as crianças mortas, para a corrupção. As pessoas falam do Brasil e do brasileiro como se não fossem daqui e não fossem brasileiras.
Só vejo um monte de gente que só sabe reclamar, com síndrome de vira lata, idolatrando a Europa.  Não vejo ninguém rebolando a bunda pra mudar nada por aqui. Dai quando nós saímos as ruas para protestar nos chamam de vagabundos.
------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Na página do Pragmatismo político Igor Natusch levanta um ponto muito importante: um "gringo" tem mais credibilidade que os próprios brasileiros?

http://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/04/historia-por-tras-dinamarques-que-teria-desistido-de-cobrir-copa-brasil.html




COMPARTILHAR:

+1

A angústia de não saber quem são essas pessoas


Desde quando era criança já ouvia falar, através de e-mails e cartas (e agora desabafos no Facebook), sobre algum gringo que esteve no Brasil por algum período, não gostou e foi embora, mas antes deixou uma dessas mensagens de indignação com o país.
 O que me chama atenção é que nunca vi a cara desses gringos, muito menos tive a certeza de que eles existiam; outra coisa que me deixa intrigado é que eu nunca dou a sorte de ler essas coisas direto da fonte.
O que também me espanta é que nunca vi uma dessas cartas escritas por um boliviano, haitiano, ou angolano, só vejo cartas de norte-americanos e europeus.
 Acho que a mais famosa delas é a do jornalista holandês, mas sabe de uma coisa, dessa vez eu fiquei até feliz, pois disseram o nome do jornalista: Mikkel Jensen.
Ele trabalha em que jornal? Nenhum é um jornalista independente, mas tudo bem.
A Revista Placar, que a gente imagina ser uma entrevista séria, diz que a fonte é "Crédito: Reprodução/Facebook".
Legal, mas não tem o link!
  Lá vou eu procurar o tal rapaz, encontro três “Mikkel’s”: um modelo de vinte poucos anos, um piloto e um que me parece ser um político e que em setembro não estava no Brasil, mas sim em seu país. Ainda tem um quarto também, que não dá pra ver o perfil.
Resumindo: Jornalisticamente falando, a revista Placar poderia citar a tal fonte de onde eles tiraram esse texto?





Jornalista dinamarquês desiste de cobrir a Copa e deixa o Brasil
PLACAR.ABRIL.COM.BR
"Sou um cara usado para impressionar", relatou Mikkel Jensen







Mikkel Jensen deixou o Brasil ao descobrir "limpeza" feita para agradar pessoas como ele - um gringo

 Crédito: Reprodução/Facebook


 O jornalista dinamarquês Mikkel Jensen tinha o sonho de cobrir a Copa do Mundo no Brasil, mas não o cumprirá. Segundo ele, que esteve no país desde setembro do ano passado, as mudanças praticadas no país são feitas unicamente para impressionar pessoas como ele e a imprensa internacional. "Eu sou um cara usado para impressionar", justificou, em artigo publicado em seu perfil do Facebook (e que pode ser lido abaixo). O sonho de Jensen de assistir "o melhor esporte do mundo em um país maravilhoso" terminou a apenas dois meses do pontapé inicial. Em visita a Fortaleza, "a cidade mais violenta a receber um jogo de Copa do Mundo até hoje", o dinamarquês esteve em contato com algumas crianças de rua. Uma delas lhe ofereceu um pacote de amendoins, e o impressionou. "Esse cara, que não tem nada, ofereceu a única coisa de valor que tinha para um gringo que carregava equipamentos de filmagem no valor de R$ 10.000 e um Master Card no bolso. Inacreditável", relatou Jensen. O jornalista optou por deixar o país quando se deu conta de que muitas crianças em situação de rua estão desaparecendo para dar aos turistas uma imagem mais "limpa" das cidades-sede. "Eu não posso cobrir esse evento depois de saber que o preço da Copa não só é o mais alto da história em reais – também é um preço que eu estou convencido incluindo vidas das crianças", escreveu. "Hoje, vou voltar para Dinamarca e não voltarei para o Brasil. Minha presença só está contribuindo para um desagradável show do Brasil. Um show, que eu dois anos e meio atrás estava sonhando em participar, mas hoje eu vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para criticar e focar no preço real da Copa do Mundo do Brasil", concluiu Jensen, que já está de volta à Dinamarca. Leia o artigo na íntegra: Quase dois anos e meio atrás eu estava sonhando em cobrir a Copa do Mundo no Brasil. O melhor esporte do mundo em um país maravilhoso. Eu fiz um plano e fui estudar no Brasil, aprendi Português e estava preparado para voltar. Voltei em setembro de 2013. O sonho seria cumprido. Mas hoje, dois meses antes da festa da Copa eu decidi que não vou continuar aqui. O sonho se transformou em um pesadelo. Durante cinco meses fiquei documentando as consequências da Copa. Existem várias: remoções, forças armadas e PMs nas comunidades, corrupção, projetos sociais fechando. Eu descobri que todos os projetos e mudanças são por causa de pessoas como eu – um gringo e também uma parte da imprensa internacional. Eu sou um cara usado para impressionar. Em Março, eu estive em Fortaleza para conhecer a cidade mais violenta a receber um jogo de Copa do Mundo até hoje. Falei com algumas pessoas que me colocaram em contato com crianças da rua e fiquei sabendo que algumas estão desaparecidas. Muitas vezes, são mortas quando estão dormindo a noite em área com muitos turistas. Por que? Para deixar a cidade limpa para os gringo e a imprensa internacional? Por causa de mim? Em Fortaleza eu encontrei com Allison, 13 anos, que vive nas ruas da cidade. Um cara com uma vida muito difícil. Ele não tinha nada – só um pacote de amendoins. Quando nos encontramos ele me ofereceu tudo o que tinha, ou seja, os amendoins. Esse cara, que não tem nada, ofereceu a única coisa de valor que tinha para um gringo que carregava equipamentos de filmagem no valor de R$10.000 e uma Master Card no bolso. Inacreditável. Mas a vida dele está em perigo por causa de pessoas como eu. Ele corre o risco de se tornar a próxima vítima da limpeza que acontece na cidade de Fortaleza. Eu não posso cobrir esse evento depois de saber que o preço da Copa não só é o mais alto da historia em reais e centavos – também é um preço que eu estou convencido incluindo vidas das crianças. Hoje, vou voltar para Dinamarca e não voltarei para o Brasil. Minha presença só está contribuindo para um desagradável show do Brasil. Um show, que eu dois anos e meio atrás estava sonhando em participar, mas hoje eu vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para criticar e focar no preço real da Copa do Mundo do Brasil. Alguns quer dois ingressos para França – Equador no dia 25 de Junho?

Mikkel Jensen - jornalista independente do Dinamarca e correspondente em Rio de Janeiro


http://placar.abril.com.br/materia/jornalista-dinamarques-desiste-de-cobrir-a-copa-e-deixa-o-brasil?utm_source=redesabril_jovem&utm_medium=facebook&utm_campaign=redesabril_super


------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
 Depois do meu desabafo um senhor na internet achou essa link

http://ekstrabladet.dk/sport/fodbold/landsholdsfodbold/vm2014/article2258090.ece

esta matéria falar por cima sobre o tal texto do reporte

Então procuramos pelo tal reporter.

achamos o facebook

https://www.facebook.com/mtkjensen?fref=ts

e lá ta cheio de gente babando ovo pro gringo

O que me revolta é que ninguém liga, ninguém está nem ai para a pobreza, para as crianças mortas, para a corrupção. As pessoas falam do Brasil e do brasileiro como se não fossem daqui e não fossem brasileiras.
Só vejo um monte de gente que só sabe reclamar, com síndrome de vira lata, idolatrando a Europa.  Não vejo ninguém rebolando a bunda pra mudar nada por aqui. Dai quando nós saímos as ruas para protestar nos chamam de vagabundos.
------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Na página do Pragmatismo político Igor Natusch levanta um ponto muito importante: um "gringo" tem mais credibilidade que os próprios brasileiros?

http://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/04/historia-por-tras-dinamarques-que-teria-desistido-de-cobrir-copa-brasil.html