Subaquático Beckett



No Domingo a noite, dia 16 de janeiro de 2011, a linda Libélula e eu fomos ao SESC Consolação para ver coisa boa, e como somos fãs de Samuel Beckett, Jogo, Catástrofe e Ato sem palavras II estavam embrulhados para presentes para nós que estamos próximos de fazer um mês de namoro.

O espetáculo Resta pouco a dizer dos diretores Adriano e Fernando Guimarães começa colocando o público embaixo d'água com dois atores que devem recitar seus textos após passar alguns segundos ou até minuto sem respirar num tanque de vidro com água. Suspenso num elevador está um ator que marca o tempo com um cronômetro. Este foi chamado de primeiro ato pela organização, as pessoas que passavam pela rua Dr Vila Nova puderam ver esta performance e aplaudi-la mostrando que as cenas a seguir tinha estética pulsando aos olhos.
Uma senhora atrás de mim disse:
    •  - Eu sabia que era uma peça experimental.
Já eu tinha certeza que não havia experimentação ali, me passou a impressão que os diretores sabiam o que estavam fazendo de forma que não era mais um experimento, não era experimental.
Já dentro do dito teatro, Catástrofe mostra a diretora inquieta a criar a cena perfeita com sua assistente submissa e seu ator que não questiona, logo após mais uma vez a água nos tira o fôlego quando um único ator enfia sua cabeça num balde com água, fica um tempo e depois sai recitando um texto tão baixo que era nada compreensível. Um telão sempre descia para anunciar qual texto veríamos , o ano em que foi escrito e a rubrica inicial. Ato sem palavras II foi a que melhor mostrou a característica de Samuel Beckett em tocar no problema de uma existência e na eterna repetição da vida. Para a plateia lembrar que estávamos num teatro onde havia performances outra vez somos privilegiados com a presença agora de dois atores que colocam suas cabeças num balde de água novamente e passam momentos sem respirar para sair recitando seus textos nada compreensíveis. Agora a Libélula e eu estamos curiosos e ansiosos. Jogo, uma das peças de Beckett preferidas por nós está começando. É o momento em que Beckett nos impõe velocidade, mas de forma que as palavras não passem despercebidas frente a forma de como são ditas. A repetição não é para entender melhor, mas sim para que outra forma seja apresentada.
Cerrado o pano, quatro luzes se acendem no palco, a plateia ri de nervoso, quatro atores entram com seus respectivos baldes, e enfiam suas respectivas cabeças para que não possam respirar. Respiração embolada traz uma canção sobre a respiração dizendo que no final é só isso que resta. Uma performance que feita depois de uma hora e meia me deixou com o famoso gostinho de quero mais.

E sem fôlego - a Libélula disse...

RESTA POUCO A DIZER
SESC Consolação
Rua Dr. Vila Nova, 245, Vila Buarque
Tel.: (11) 3234-3000
Sexta e sábado, às 21h, domingo, às 19h
R$ 32
Até 23 de janeiro

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Subaquático Beckett



No Domingo a noite, dia 16 de janeiro de 2011, a linda Libélula e eu fomos ao SESC Consolação para ver coisa boa, e como somos fãs de Samuel Beckett, Jogo, Catástrofe e Ato sem palavras II estavam embrulhados para presentes para nós que estamos próximos de fazer um mês de namoro.

O espetáculo Resta pouco a dizer dos diretores Adriano e Fernando Guimarães começa colocando o público embaixo d'água com dois atores que devem recitar seus textos após passar alguns segundos ou até minuto sem respirar num tanque de vidro com água. Suspenso num elevador está um ator que marca o tempo com um cronômetro. Este foi chamado de primeiro ato pela organização, as pessoas que passavam pela rua Dr Vila Nova puderam ver esta performance e aplaudi-la mostrando que as cenas a seguir tinha estética pulsando aos olhos.
Uma senhora atrás de mim disse:
    •  - Eu sabia que era uma peça experimental.
Já eu tinha certeza que não havia experimentação ali, me passou a impressão que os diretores sabiam o que estavam fazendo de forma que não era mais um experimento, não era experimental.
Já dentro do dito teatro, Catástrofe mostra a diretora inquieta a criar a cena perfeita com sua assistente submissa e seu ator que não questiona, logo após mais uma vez a água nos tira o fôlego quando um único ator enfia sua cabeça num balde com água, fica um tempo e depois sai recitando um texto tão baixo que era nada compreensível. Um telão sempre descia para anunciar qual texto veríamos , o ano em que foi escrito e a rubrica inicial. Ato sem palavras II foi a que melhor mostrou a característica de Samuel Beckett em tocar no problema de uma existência e na eterna repetição da vida. Para a plateia lembrar que estávamos num teatro onde havia performances outra vez somos privilegiados com a presença agora de dois atores que colocam suas cabeças num balde de água novamente e passam momentos sem respirar para sair recitando seus textos nada compreensíveis. Agora a Libélula e eu estamos curiosos e ansiosos. Jogo, uma das peças de Beckett preferidas por nós está começando. É o momento em que Beckett nos impõe velocidade, mas de forma que as palavras não passem despercebidas frente a forma de como são ditas. A repetição não é para entender melhor, mas sim para que outra forma seja apresentada.
Cerrado o pano, quatro luzes se acendem no palco, a plateia ri de nervoso, quatro atores entram com seus respectivos baldes, e enfiam suas respectivas cabeças para que não possam respirar. Respiração embolada traz uma canção sobre a respiração dizendo que no final é só isso que resta. Uma performance que feita depois de uma hora e meia me deixou com o famoso gostinho de quero mais.

E sem fôlego - a Libélula disse...

RESTA POUCO A DIZER
SESC Consolação
Rua Dr. Vila Nova, 245, Vila Buarque
Tel.: (11) 3234-3000
Sexta e sábado, às 21h, domingo, às 19h
R$ 32
Até 23 de janeiro