Afinal, são duas pessoas na rua

Cidade de São Paulo, 23h45. Um rapaz caminhava, indo para casa no seu passo apressado. Mochila pesada , Sapatos apertados (e molhados, detalhe; não choveu uma única gota). Passa por uma bar típico de tiozinhos onde repara um tio de um amigo. Não deu importância. Passa por uma praça onde um homem já de bastante idade tragava um cigarro exótico. Poderia ter subido a árdua ladeira Cbo Antônio Martins, mas não preferiu cortar caminho pela José Firmino, coisa que fazia sempre.

A José Firmino era uma rua estréia entre um super=mercado e uma igreja universal. formava assim um beco onde muitas pessoas tinham medo de passar até de dia, Mas nosso amigo está preocupado com outras coisas, contas a pagar, o vizinho chato, a ex-namorada grudenta, a garota linda que lhe deu um pé. Tudo isso lhe tira a atenção dos problemas externos.

"Bem que ele poderia separar mais as coisas né?" Quantas vezes você não ouviu essa pergunta, quase que como uma ordem ou uma obviedade. Pois bem , deveria estar prestando atenção nos dois rapazes confabulando no meio da viela.

Ai Caramba, o que faço? continuo a andar ou volto pra traz? se eu continuar eles podem ser assaltantes, assassinos ou as duas coisas. se eu voltar eles poderiam não ser assaltantes, poderiam ser vizinhos o qualquer conhecido que amanha vai zombar de mim? porque eu continuo andando? Que tipo de coragem idiota é essa? Tenho mais medo da vergonha em público do que da morte! Idiota!

Quanto mais perto ele chega percebe que os rapazes escondem seus rostos usando boné.

Ta na cara. São assaltantes!

Está com o oco não mão de medo

Mais não tenho que ter medo de nada . Afinal, são duas pessoas na rua

Quando chegou perto dos rapazes, dois negros, altos, fortes, saudáveis. Percebeu que eles não estavam de brincadeira.

Meu deus! eu não posso ser assaltado, não posso perder meu RG!

-E ai irmão! - disse um dos rapazes.

Já deu pra perceber que ele é mano

- s...sim?!

- Eu tenho uma coisa aqui pra você.

Meu Deus uma arma!

- É melhor você está preparado

- Meu Deus!

- Isso! nosso Deus te trouxe aqui pra ouvir a palavra Dele!

- Aleluia! - bradou o segundo rapaz também sacando uma pequena Bíblia do Bolso

Nosso herói chegou em casa às duas da manhã, chegaria as dez para meia-noite, se não fosse os fervorosos evangélicos que o abordaram.
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Afinal, são duas pessoas na rua

Cidade de São Paulo, 23h45. Um rapaz caminhava, indo para casa no seu passo apressado. Mochila pesada , Sapatos apertados (e molhados, detalhe; não choveu uma única gota). Passa por uma bar típico de tiozinhos onde repara um tio de um amigo. Não deu importância. Passa por uma praça onde um homem já de bastante idade tragava um cigarro exótico. Poderia ter subido a árdua ladeira Cbo Antônio Martins, mas não preferiu cortar caminho pela José Firmino, coisa que fazia sempre.

A José Firmino era uma rua estréia entre um super=mercado e uma igreja universal. formava assim um beco onde muitas pessoas tinham medo de passar até de dia, Mas nosso amigo está preocupado com outras coisas, contas a pagar, o vizinho chato, a ex-namorada grudenta, a garota linda que lhe deu um pé. Tudo isso lhe tira a atenção dos problemas externos.

"Bem que ele poderia separar mais as coisas né?" Quantas vezes você não ouviu essa pergunta, quase que como uma ordem ou uma obviedade. Pois bem , deveria estar prestando atenção nos dois rapazes confabulando no meio da viela.

Ai Caramba, o que faço? continuo a andar ou volto pra traz? se eu continuar eles podem ser assaltantes, assassinos ou as duas coisas. se eu voltar eles poderiam não ser assaltantes, poderiam ser vizinhos o qualquer conhecido que amanha vai zombar de mim? porque eu continuo andando? Que tipo de coragem idiota é essa? Tenho mais medo da vergonha em público do que da morte! Idiota!

Quanto mais perto ele chega percebe que os rapazes escondem seus rostos usando boné.

Ta na cara. São assaltantes!

Está com o oco não mão de medo

Mais não tenho que ter medo de nada . Afinal, são duas pessoas na rua

Quando chegou perto dos rapazes, dois negros, altos, fortes, saudáveis. Percebeu que eles não estavam de brincadeira.

Meu deus! eu não posso ser assaltado, não posso perder meu RG!

-E ai irmão! - disse um dos rapazes.

Já deu pra perceber que ele é mano

- s...sim?!

- Eu tenho uma coisa aqui pra você.

Meu Deus uma arma!

- É melhor você está preparado

- Meu Deus!

- Isso! nosso Deus te trouxe aqui pra ouvir a palavra Dele!

- Aleluia! - bradou o segundo rapaz também sacando uma pequena Bíblia do Bolso

Nosso herói chegou em casa às duas da manhã, chegaria as dez para meia-noite, se não fosse os fervorosos evangélicos que o abordaram.